Você terminou o curso.
Agora você constrói para a empresa.
No curso, o pior que podia acontecer era o exercício não rodar. A partir daqui, o que você constrói pode ficar indispensável para a sua área, mostrar dado que não é público, ou virar a fonte que outro time consulta. Quando isso acontece, deixa de ser seu — e a empresa passa a responder por ele.
Este é o guia dessa passagem. Ele não te ensina a programar melhor: ele te diz a partir de que ponto o seu projeto é da empresa, o que a casa exige nesse ponto, e em que ordem fazer as coisas para não descobrir o problema depois de o link já ter circulado.
um projeto corporativo
de homologação
compartilhar o link
Não existe uma segunda
Três coisas passam a valer para você hoje
Nenhuma delas é burocracia nova. Todas as três são a mesma pergunta: quem paga a conta se der errado.
Você virou ponto único de falha
No exercício, se você sumisse, ninguém notava. Se a sua área passa a depender de uma página que só você sabe subir, a sua ausência virou risco operacional. É por isso que a casa pede um segundo nome — não por desconfiança.
O dado deixou de ser de mentira
Dado real muda tudo. Dado pessoal muda ainda mais: aí não é regra da empresa, é lei. E o erro clássico não é publicar sem trava — é commitar o arquivo antes de publicar.
Alguém vai perguntar quem mudou o quê
Enquanto era só você, o histórico era luxo. Quando outro time usa o número que a sua página mostra, o histórico é a resposta para "desde quando está errado". É o que o PR entrega — não é cerimônia, é memória.
Isso é seu, ou é da empresa?
Esta é a única pergunta que precisa de resposta hoje. Não é sobre o projeto ser grande, bonito ou bem feito — é sobre quem toma o prejuízo se ele der errado. Responda as quatro. Basta uma resposta SIM para o projeto ser corporativo.
Isto existe para o funil não entupir. Se nenhum dos quatro critérios bate, é pessoal — e ninguém tem nada a dizer sobre ele:
- Organiza só o seu trabalho e mais ninguém abre.
- Análise de uma vez, com dado público ou já agregado.
- Exercício, estudo, teste, reprodução do curso.
- Protótipo com dado inventado — inventado mesmo, não "real com os nomes trocados".
O documento original tinha três: continuidade, confidencialidade e cross-área. Faltava o mais perigoso. Continuidade e confidencialidade são problemas da empresa; dado pessoal é problema da lei — LGPD.
Por isso C4 é o único critério que não aceita "é pequeno demais pra contar". Não aceita "é só um teste", não aceita "eu vou apagar depois", não aceita "só eu uso". Tem dado de pessoa identificável? É corporativo. Fim.
Classe e nível são coisas diferentes
Hoje a casa mistura as duas numa palavra só, e é daí que vem a confusão. São dois eixos independentes: classe é quem responde pelo projeto — quem decide é o crivo. Nível é o rigor para mudar o código — quem decide é você. Um projeto pessoal pode ter muitos usuários; um projeto corporativo pode ter um só.
nível rascunhopush direto na main | nível produçãoPR obrigatório, 0 aprovações | |
|---|---|---|
classepessoal |
✓ O CASO COMUMZero cerimônia, e é assim de propósito. É onde a maioria dos seus projetos vai viver e morrer, sem que ninguém precise saber. | ✓ VOCÊ APERTOU PORQUE QUISNinguém pediu, mas ganhar diff visível e histórico num projeto que você cuida sozinha é uma boa decisão. Siga. |
classecorporativo |
⛔ ESTADO PROIBIDOSe a empresa responde, a mudança é rastreável. Não tem meio-termo. Cai aqui? 5 dias úteis para sair: ou promove para produção, ou perde a classe corporativa e sai do ar para terceiros. | ✓ O PADRÃO HOMOLOGADOÉ aqui que o projeto precisa estar para passar pelo Sentinela e receber custódia, domínio e segredo da conta corporativa. |
Quando o crivo passa a ser obrigatório
Não é "quando o projeto ficar grande" — isso ninguém consegue observar. É um evento concreto, com data, que só você sabe que aconteceu:
> você mandou o link para uma segunda pessoa.
Nesse instante o projeto deixou de ser exploração: alguém que não é você passou a contar com ele. Daí você tem 5 dias úteis para rodar o crivo. Antes disso, ninguém te cobra nada — e isso é para valer, não é armadilha.
Onde cada ferramenta da casa entra
Você já conhece as peças soltas: o template, as skills, a Vitrine, o Sentinela. Faltava ver a ordem. É esta — e ela só tem uma via.
Onde você está saindo. Você sabe fazer o agente trabalhar, sabe guardar no GitHub, sabe versionar. Nada disso muda.
lm-curso-claudecode · no arTodo projeto começa em Use this template. Você não copia o padrão da casa — ele já vem dentro: contexto, governança, CODEOWNERS pré-preenchido, deploy e as skills. Projeto que nasce fora do template chega no Sentinela com trabalho de arqueologia pela frente.
livemode-template · no arA skill config-projeto ativa sozinha e aplica o crivo desde o primeiro commit. Ela não espera o fim para reclamar: nos itens de bloqueio ela para de te ajudar a publicar até você resolver. Ao final, grava o homologacao.json no seu projeto.
skill config-projeto · precisa de atualizaçãoNesta ordem, sempre. /deploy-vercel bota no ar; /trava-de-dominio controla quem entra. São coisas diferentes e complementares. Quem inverte a ordem descobre o erro pelo Google, que já indexou.
skills deploy-vercel + trava-de-dominio · no arO gatilho. 5 dias úteis para rodar o crivo e, se for corporativo, chamar o Sentinela.
você · agoraEle confere, não entrevista de novo: lê o homologacao.json que a skill emitiu, checa por fora o que só se vê por fora (custódia, ruleset, custo, inventário), reconfere sempre dado pessoal e segredo, e dá o veredito. Sem o arquivo, o veredito é um só: volte e rode a skill.
sentinela · precisa convergir com a skillRepo para livemode-org, deploy para a conta corporativa, segredos reemitidos e os seus revogados, dono institucional no CODEOWNERS, linha no inventário. É o momento em que o projeto para de ser seu — de verdade, não no papel.
procedimento · ver abaixoSe no caminho você criou algo que outras pessoas vão repetir — uma skill, um doc — ele não fica só no seu projeto. Vai para a Vitrine, com dono e classificação, e passa por pré-cadastro → curadoria → aprovação.
vitrine-livemode · no arOs 12 itens. Esta é a lista inteira.
Não existe uma segunda lista, e nenhuma das duas pontas pode ter item próprio. A skill aplica estes itens enquanto você constrói; o Sentinela confere estes mesmos itens no fim. Se os dois discordarem, quem vence é o arquivo — homologacao.md, publicado ao lado desta página. Esta página não guarda cópia: ela lê o arquivo.
Nenhum dos dois é obrigatório por sistema hoje. Não existe robô que impeça uma pessoa de publicar um projeto sem passar por aqui. Isso é escolha, não esquecimento — regra que aperta cedo demais é regra que o time aprende a contornar.
O que faz funcionar é outra coisa: os dois falam a mesma língua e os dois registram. Um projeto que passou por fora é visível justamente porque não tem homologacao.json. E projeto corporativo sem homologação não recebe custódia, não recebe domínio e não recebe segredo da conta corporativa. Não é uma trava. É a consequência.
A ordem exata, do zero ao link que pode circular
Seis passos. Um único deles precisa de uma pessoa: o token. Todo o resto o agente faz.
- Nasça do template.
No GitHub, em
livemode-org/livemode-template→ botão verde Use this template → Create a new repository. Nome no padrão da casa: minúsculo, com hífen.gh repo clone livemode-org/livemode-<seuprojeto>
- Abra a pasta no Claude Code e preencha duas coisas.
O
CLAUDE.md(o que é e de que área) e ogovernanca.md. No governança, escreva classe e nível — item H1 do crivo. Não deixe implícito; a skill vai cobrar.- **Classe:** pessoal # ou corporativo - **Nível:** rascunho # ou produção - **Dono:** <seu nome> - **Regra de revisão:** <o que acontece quando você sai / quando morre>
- Rode o crivo antes de construir, não depois.
Peça isso na primeira sessão. Custa dois minutos e evita a única categoria de erro que não tem desfazer.
rode o crivo de homologação neste projeto
- Ligue o auto-deploy.
Um
vercel linke a skill faz o resto: lê os dois ids de graça do.vercel/project.json, grava as três chaves no repo, escreve o workflow. Ela vai te pedir o token uma vez — é o único passo humano, e é de propósito: é o que impede um script de fabricar acesso./deploy-vercel
- Trave a porta, e só então teste.
Se a página mostra qualquer coisa interna: trave antes de o link sair da sua mão. Depois abra a URL numa janela anônima e confirme que você é barrada. Se entrou, não está travado.
/trava-de-dominio livemode.com
- Só agora compartilhe — e conte os 5 dias.
Mandou o link para a segunda pessoa? O relógio começou. Se o crivo disse
corporativo, chame o Sentinela dentro de 5 dias úteis e promova o nível paraprodução(trocar a linha dogovernanca.mde descomentar o.github/CODEOWNERS).
Fazer o passo 5 depois do passo 6. A pessoa publica, manda o link "só pro meu líder ver", e tranca no dia seguinte. Entre um e outro a URL foi indexada, e o conteúdo continua no cache mesmo depois da trava. A ordem é sempre: publica → trava → testa anônimo → compartilha.
Transferência de custódia
"Migrar a custódia" aparece no plano da casa, mas nunca foi detalhado — e é justamente onde a transferência costuma ficar pela metade. Meia transferência é pior que nenhuma: parece pronto e não é. São seis passos, e o quinto é o que todo mundo esquece.
- Transfira o repositório — não copie.GitHub → Settings → Transfer ownership →
livemode-org. Copiar cria um repo novo sem histórico, e o histórico é metade do valor. Transferir preserva issues, PRs e commits. - Ligue o CODEOWNERS e o ruleset.Descomente as linhas do
.github/CODEOWNERS(com@tech-livemodeentre elas) e crie o ruleset namainexigindo PR com 0 aprovações. O arquivo sozinho não trava nada — quem exige é o ruleset, e ele vive fora do repo. - Recrie o projeto de deploy na conta corporativa.Não é renomear o seu: é criar na conta da empresa e apontar o repo transferido para lá.
- Reemita os segredos na conta corporativa.Token novo, fine-grained, um recurso só, menor privilégio, com validade. Não copie o token antigo — ele é seu, está atrelado a você, e sai da empresa junto com você.
- Revogue os seus. Este é o passo esquecido.Enquanto o token antigo existe, ele funciona: o projeto está formalmente na empresa e materialmente ainda na sua mão. Revogue e confirme o 401. Sem confirmar, você não revogou — você acha que revogou.
- Registre no inventário e ponha o topic no repo.Nome, dono, classe, nível, URL, onde estão os segredos, status. Mais o topic
livemode-corporativono GitHub. Projeto fora do inventário é, para a governança, projeto que a empresa não sabe que tem.
Vazou. E agora?
Você commitou uma chave, ou subiu uma planilha com e-mails, ou mandou o link antes de travar. Vai acontecer — com você e com todo mundo. O que decide o tamanho do estrago não é o erro, é a velocidade e a ordem.
- Revogue primeiro. Antes de contar, antes de apagar, antes de entender.Chave vazada é chave viva. Invalide-a na origem (GitHub, Google, Airtable, Vercel, Cloudflare) agora. Uma chave revogada é um incidente encerrado; uma chave vazada que você está "investigando" é um incidente em andamento.
- Não apague o commit achando que resolveu.Apagar a linha e commitar de novo não tira nada: o valor continua no histórico, acessível para qualquer pessoa com o repo e para qualquer clone que já foi feito. Por isso o passo 1 é revogar, não limpar. Limpar é cosmético; revogar é o que corta o acesso.
- Conte no mesmo dia — para o seu líder e para o time de Tecnologia.Nenhum vazamento fica pior por ter sido contado. Todos ficam piores por serem descobertos por terceiros duas semanas depois. Diga o que era, onde estava, desde quando, e o que você já revogou.
- Se era dado pessoal, isso não é um incidente técnico.É LGPD, tem prazo legal e a decisão não é sua nem da sua área. Escale na hora. Não avalie sozinha se "foi pouco" — o critério legal não é o seu.
Repositório privado não protege segredo. Todo mundo com acesso ao repo tem o
segredo, o agente que você roda tem o segredo, e o segredo continua no histórico depois de
você apagar a linha. E git push, na prática, é irreversível: você nunca sabe
quem já clonou. Por isso dado pessoal e segredo são os dois únicos itens do crivo que o
Sentinela reconfere sempre, mesmo que a skill já tenha dito OK.
Governar o agente, não só o repositório
Todo o resto desta página é governança do artefato: o repo, o deploy, o segredo, o dono. Mas o que é novo aqui não é o artefato — é quem o construiu. Você constrói com um agente que lê arquivos, roda comandos e tem credenciais suas. Nenhum dos outro 11 itens olha para isso.
"Aprovar tudo" não é uma escolha
É a ausência de uma escolha. O repo declara o que o agente roda sozinho, em .claude/settings.json. O que fica fora, ele pergunta. É chato nos primeiros dias e é o que impede o comando destrutivo silencioso.
Menor privilégio nos MCPs
Um conector com escrita em Airtable, Slack, Drive ou e-mail vale mesmo que você nunca use. Se o projeto não precisa, desconecte. Conector é acesso permanente, não um atalho ocasional.
Credencial de produção não fica na máquina de dev
É o único subitem do H9 que é bloqueio, e não pendência. A máquina onde você experimenta é a máquina onde o agente tem acesso amplo — é o pior lugar possível para a chave que mexe no que está no ar.
O que o agente lê é dado, não ordem
Uma planilha, uma issue, uma página que o agente abre pode conter texto escrito para ele, mandando fazer algo. Se o seu projeto alimenta o agente com conteúdo que vem de fora, escreva isso no CLAUDE.md como risco conhecido — e nunca deixe esse conteúdo decidir uma ação.
Onde cada coisa mora
O catálogo dos artefatos corporativos — skills e docs padrão da casa. Consulte, baixe ou proponha o seu pelo balcão.
a convergirSentinela sentinela.livemode.spaceA vistoria final: homologa projeto de área fora de Tecnologia. Passa a ler o mesmo crivo desta página — hoje ainda não lê.
no arlivemode-template github.com/livemode-org/livemode-templateO ponto de partida. Use this template e o projeto já nasce com contexto, skills, deploy e governança dentro.
no arlivemode-brain github.com/livemode-org/livemode-brainO cérebro: contexto da empresa, guardrails, taxonomia — e o lugar canônico do crivo.
no arCurso de Claude Code lm-curso-claudecode.vercel.appDe onde você veio. Do comando mais simples ao loop que trabalha sozinho.
este projetoO crivo, em texto homologacao.md · homologacao.jsonO contrato único que a skill e o Sentinela leem. É o arquivo que esta página renderiza.
O que ainda não existe
Está aqui para você não presumir cobertura que não tem. Se um destes te bloqueia hoje, fale com o time de Tecnologia em vez de improvisar um contorno.
Não há trava de domínio na Cloudflare
A trava da casa é feita de middleware da Vercel. O plano da empresa é migrar o deploy para Cloudflare — e ninguém escreveu a trava equivalente lá. Enquanto não existir: projeto com dado interno fica na Vercel. Esta página está na Cloudflare exatamente porque não mostra nada interno.
Não há inventário de projetos
O H12 pede registro num inventário que ainda não existe como sistema. Por enquanto, o registro é a issue que o Sentinela abre e o topic no repositório. É o item que mais urge, porque todos os outros dependem de existir uma lista.
Não há varredura automática de segredo
Nada impede tecnicamente um segredo de entrar no histórico de um repo privado. H3 e H4 dependem hoje de a skill olhar e de você não ignorar. Um hook de pré-commit resolveria; ainda não está no template.
A conta de deploy corporativa não está definida
H6 exige "a conta corporativa" da plataforma. Qual é ela, quem administra, e como você pede acesso: nada disso está definido ainda. Até estar, transferência de custódia trava no passo 3.
· ESTALEIRO